Entrevistamos a Pós Doutoranda Luciana Dornnelas, que faz sua pós em nanotecnologia.
A Luciana é formada em química e é especialista em química inorgânica, com títulos de Mestrado e Doutorado nesta referida área.
Somos um grupo de estudantes de engenharia da PUC e estamos montando um blog com as melhores informações do surpreendente mundo nano. Nosso intuito é estimular os novos alunos de engenharia da PUC-Rio a pesquisarem mais sobre este tema. E para isso, nada melhor do que entrevistar alguém que sirva de exemplo para nós estudantes, ainda mais, alguém de nossa própria faculdade ( PUC - Rio), e que lida diariamente com a nano tecnologia através de pesquisas.
Nano Mais:
Nano Mais:
E como sabemos que você é responsável por pesquisas sobre nano, poderia nos falar um pouco sobre algumas delas?
Luciana: Eu trabalho com Nanotecnologia aplicada para a medicina, o que estou desenvolvendo são moléculas carreadoras de fármacos, só que numa escala muito pequena, os “nanofármacos”.
A idéia é pegar um fármaco que não é nano e inserir numa molécula que é nano.
Como no caso do câncer, utilizamos da quimioterapia para cura do mesmo; são dosagens quimioterápicas muito altas e, de tão agressivas, dão muitos efeitos colaterais, pois estes remédios não são seletivos quanto às células, atacam as células tanto cancerosas, quanto as sadias.
Nano Mais: Diga-nos qual a importância da sua pesquisa para o mundo?
Luciana: Então, o que estamos tentando desenvolver é uma distribuição deste fármaco mais controlada e ao invés do próprio se dispersar em todo o corpo e destruir tudo que é célula, ele somente iria chegar numa célula específica, a célula cancerosa (como o exemplo citado anteriormente). Com isso a dosagem do remédio seria muito menor, ou seja, muito menos dosagem de princípio ativo; e como vai ser tão específico no tratamento, o tempo de tratamento seria muito menor e os danos causados pelos efeitos colaterais, também, seriam reduzidos. Então teríamos um aumento significativo na eficácia.
O carreador é facilmente eliminado, pois é uma molécula hidrossolúvel. Dando assim para esses fármacos serem ingeridos via oral e eliminados, depois de realizar suas funções, pela urina.
Nano Mais: Quais são as dificuldades que você encontra para obter o produto final que almeja?
Luciana: Como é muito difícil de fazer materiais em escala nano e estes possuem comportamentos inesperados, com a ajuda do Reinaldo (responsável pelos cálculos computacionais), é possível realizar o encaixe entre os nanofármacos e os carreadores fazendo simulações computacionais, encontrando, assim, o melhor modo de obter uma estabilidade entre estes dois elementos. Unindo o teórico com o experimental podemos ver se o que imaginamos será possível de se produzir.
Nano Mais: Nós perguntamos a você como um aluno da graduação poderia ajudar e participar de pesquisas, principalmente com relação a iniciação científica?
Luciana: Aqui existem vários alunos trabalhando em diferentes setores numa mesma pesquisa. E sempre existe procura por novos alunos de iniciação. Marcos Aurélio (responsável pela engenharia de Nano Tecnologia da PUC), sempre que haja alguém que queira trabalhar, mesmo sem bolsa, abriga a todos e sempre dá oportunidades. Ainda mais que a nano tecnologia é um mundo interdisciplinar, fazendo desta uma área que aceita diversas outras.
Depende também do aluno, este tem que ter interesse pelo que o professor desenvolve. Não adianta chegar para um professor e falar que aceita qualquer coisa, ainda mais sendo algo diferente do que o aluno realmente almeja para a sua carreira. Também, não é só para as idéias dos professores que se abrem vagas para a iniciação. Se um aluno tiver uma idéia pode apresentar para um professor específico que ele lhe dará o seu apoio.
Nano Mais: Como está a nanotecnologia no Brasil? Existem oportunidades em outros lugares do país além de grandes faculdades como a PUC-Rio?
Luciana: Há 10 anos, falar de nanotecnologia no Brasil era inovação e, mesmo com essa defasagem em relação ao mundo externo, o Brasil neste período cresceu muito e, atualmente, está com projeções muito grandes de evolução em todas as áreas.
Existem sim outros lugares, mas acho que a PUC é pioneira no Brasil com a Engenharia de Nanotecnologia.

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